Sábado, 16 de Dezembro de 2017
"Queria voltar para casa, era só nisso que eu pensava", diz catarinense que sobreviveu a naufrágio
Embarcação saiu de Itajaí e afundou a 70 km da Ilha Grande (RJ) na quarta (8); cinco estão desaparecidos.
13/11/2017 | 10:57
Postado por: Destaque Catarina
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obrevivente do naufrágio que ocorreu em Angra dos Reis (RJ) na quarta-feira (8), o único catarinense da embarcação foi recebido com festa em Itajaí na noite de sábado (11). Casado e pai de dois filhos, de 12 anos e dois meses, Juliano Azeredo, de 36 anos, só tinha um pensamento durante as duas horas de espera por resgate: “queria voltar para casa”.
O barco pesqueiro Nossa Senhora do Carmo I saiu de Itajaí com 23 pessoas a bordo e afundou a cerca de 70 km da Ilha Grande (RJ).Cinco estavam desaparecidas até sábado.

 

Mulher de Juliano, Cristina Raitz soube do naufrágio às 8h de quarta e só às 12h teve a confirmação de que ele havia sobrevivido. “Foi apavorante. Como ainda amamento, precisei pedir para minha mãe dar a mamadeira ao meu filho, porque fiquei muito trêmula e nervosa”, contou.

 

Naufrágio em dois minutos
Com 18 anos de experiência na pesca profissional, este foi o primeiro grande susto da carreira do catarinense. “Eu estava na casa de máquinas, era motorista do barco e um dos únicos que estava acordado quando tudo aconteceu. A única coisa que consegui fazer foi gritar pro pessoal sair de dentro da casaria do barco e pegar os coletes”, disse.
Em poucos instantes o barco estava debaixo d’ água, conforme Juliano. “Ele pegou a primeira onda, tombou, e a próxima acabou virando ele de vez. Tudo aconteceu em menos de dois minutos”, relatou.
Catarinense que sobreviveu a naufrágio retorna para casa em Itajaí

 

A maioria dos tripulantes dormia na hora do naufrágio, conforme Azeredo. “Eles devem ter entrado em estado de choque, porque acordaram dentro da água e com certeza ficaram dentro da embarcação”, comentou.
Um entre os cinco desaparecidos foi visto pelo catarinense na hora do naufrágio. “Ele ficou travado na escada e ninguém conseguiu tirar. Ele não sabia nadar”, lamentou.

 

Uma boia para cinco
Até o início da noite de sexta (10), 18 pessoas haviam sido resgatadas. Segundo Juliano, ao saírem do barco, ele e os demais sobreviventes passaram a procurar por um bote para buscar ajuda.
“Devido ao mau tempo, vento forte, ondas grandes e muita escuridão, a gente não conseguiu ver o bote. Só três homens conseguiram chegar até ele e ativar o sinalizador para chamar ajuda de uma embarcação mais próxima”, recordou.

 

Os pertences do barco que naufragou serviram de apoio neste primeiro momento. “Tinha galão, vara de bambu, um monte de coisa boiando na água e a gente pegou para se apoiar. Eu fiquei com uma boia alaranjada, com mais quatro pessoas. O frio era congelante, pensei que não ia sobreviver”, afirmou.

 

Enquanto aguardava ajuda, com outros quatro segurando em uma boia, Juliano viu um homem morrer. “Ele chegou perto de nós, estávamos em cinco, muito próximos uns dos outros, para que o resgate nos visse e salvasse a todos. Ele estava muito cansado, atrás de mim, sem colete. Depois não o vimos mais. Acho que foi para o fundo, por causa da friagem, ele estava sem camisa”, relatou.

 

Duas horas de espera
Segundo Juliano Azeredo, neste primeiro momento, a embarcação de resgaste estava distante dos sobreviventes. “Pensei que fosse morrer, porque se o bote não inflasse, todos morreríamos, com tanto frio. O resgate estava há três milhas de nós, e não havia nos visto ainda”, contou.

 

Durante duas horas de espera, Juliano encontrou forças no pensamento. “A vontade de viver e vir pra casa, era só nisso que eu pensava, por isso fiz o máximo possível pra ficar vivo”, afirmou.
Depois da comemoração junto da família, ele deve analisar o futuro. “Essa semana que eu vou pensar. De um jeito ou de outro a gente tem que trabalhar...”, refletiu.

 

Fonte: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/queria-voltar-para-casa-era-so-nisso-que-eu-pensava-diz-catarinense-que-sobreviveu-a-naufragio.ghtml

Juliano após o naufrágio com a mulher e um dos filhos em Itajaí (Foto: Fabiano Correia/NSC TV)

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