Domingo, 15 de Setembro de 2019
Mina Córrego do Feijão - A tragédia que vitimou mais de 360 pessoas e provocou danos sócio ambientais incalculáveis
Por: Agnaldo Godoy
28/01/2019 | 12:16
Postado por: Destaque Catarina
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Uma das prováveis causas da tragédia ocorrida diante do rompimento da Mina 1 Córrego do feijão, em Brumadinho (MG), no dia 25 ( sexta-feira); pode estar no trabalho de descomissionamento da Mina 1 Córrego do Feijão; cuja determinação foi aprovada pelo (COPAM) - Conselho Estadual de Política Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais ( SEMAD), em 18 de dezembro de 2018. O descomissionamento é a retirada de todo material depositado e posterior recuperação ambiental da área de mineração. O volume de rejeitos de minério de ferro existentes na Mina 1 Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), era em torno de 12 milhões de metros cúbicos e considerado inerte conforme norma NBR 10.004.

 

A decisão foi do conselho/ comitê aprovando a licença ambiental da Mina 1 Córrego do Feijão da mineradora VALE S/A, que possui 143 barragens de rejeitos no Brasil. Além do trabalho emergencial de buscas e resgate às vítimas desta tragédia em Brumadinho (MG), se faz urgente e necessário o início das apurações sobre as causas deste crime e punir os responsáveis. Mais de 306 pessoas continuam ainda desaparecidas, segundo informações repassadas à Imprensa que acompanha este trabalho das equipes em Brumadinho (MG). %8 corpos já foram retirados da lama de rejeitos de minério de ferro; através das equipes que atuam no trabalho de localização das vítimas desta tragédia em Brumadinho (MG).

 

A Mina Córrego do Feijão produzia o equivalente a cerca de 7% desta produção de rejeitos de minério de ferro e operava 24 horas por dia. Era considerada de classe 6 em registro junto ao órgão ambiental responsável por conceder classificações de barragens por todo o país. O Comitê Brasileiro de Barragens (CBCB), possui em seu banco de Declarações Ambientais (BDA), 688 barragens de rejeitos de minérios. A produção da VALE S/A diante da autorização por parte do governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Meio Ambiente pelo Conselho ou Comitê Estadual de Política Ambiental, passaria a produzir cerca de 17 milhões de toneladas de ferro por ano.

 

O rompimento da barragem Mina do Feijão, provocando o desaparecimento de mais de 300 pessoas, sendo que outras 58 vítimas foram resgatadas sem vida pelas equipes de resgate, sendo que outras pessoas ainda estão internadas em hospitais desta região; mostrou ao Brasil e ao restante do mundo o quanto estas tragédias poderiam serem evitadas neste país.

 

Será que foram cumpridos prazos e monitoramentos da Mina 1 Córrego do feijão ?

A Declaração de Estabilidade de Barragens é exigida dos responsáveis por realizar empreendimentos industriais e minérios e que possuam barragens de contenção de rejeitos e de resíduos e que devem apresentar à FEAM - Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais; a Declaração de Estabilidade de Barragens em cumprimento às Deliberações Normativas - COPAM /87 de 2005 e a Deliberação Normativa COPAM 124/2008. Isto consta no endereço eletrônico http.//barragens 2010.meioambiente.mg.gov.br Devem ser preenchidos e enviados à Fundação Estadual de Meio Ambiente - FEAM, até o dia 10 de setembro de cada ano; exclusivamente em formato digital. Ambas declarações têm por objetivo monitorar a situação das barragens de rejeitos e resíduos em Minas Gerais, visando à minimização da probabilidade de acidentes e danos ambientais.

 

Mortes; dor e sofrimento dos atingidos pela tragédia da Mina 1 Córrego do feijão, da Vale S/A

A mineração está permanentemente no centro dos debates e conflitos daqueles que defendem o meio ambiente e dos que promovem a exploração das riquezas ambientais como neste caso, a exploração de minérios de ferro por parte da VALE S/A, em Brumadinho (MG). A falta de monitoramentos planejados, adequados e de uma fiscalização rigorosa, além de investimentos maiores em projetos de instrumentalização para sistemas de controles em obras como do setor de exploração de minérios no país; mostram o quanto o Brasil necessita avançar para evitar que novas tragédias como ocorridas em Marina (2015); onde a lama da barragem rompida atingiu mais de 500 quilômetros de extensão até chegar ao mar; bem como; em Sebastião de Águas Claras- distrito de Nova Lima (2001); causando danos ambientais; materiais e fazendo também assim como em Marina vítimas . E ainda outra tragédia registrada em 1997 com rompimento da barragem do Rio de Pedras percorrendo cerca de 82 quilômetros de destruição ao longo do Rio das Velhas.

 

Portanto, a tragédia com a Mina 1 Córrego do Feijão em Brumadinho com mais de 360 vítimas é algo que merece maior rigor em termos de fiscalização, concessão de licenças e do monitoramento destas barragens. Mortes de pessoas; prejuízos ambientais (químicos e biológicos); comprometimento sanitários e da qualidade dos recursos naturais são imperdoáveis !

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