Sábado, 26 de Maio de 2018
Fim de contraturno em escolas atendidas pelo Mais Educação muda rotina de famílias de SC
Estado e prefeitura prometem recursos e projetos para continuar atividades e aulas extras.
04/03/2018 | 16:36
Postado por: Destaque Catarina
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O fim do contraturno em 724 unidades educacionais catarinenses mudou a rotina de famílias. Agora, pais precisam buscar os filhos mais cedo na escola e as crianças sentem falta das aulas extras. A Secretaria de Estado da Educação e a Prefeitura de Florianópolis prometem recursos e programas para continuar com as atividades, como mostrou o Jornal do Almoço desta sexta-feira (2).

O programa do governo federal "Mais Educação" mudou os critérios para a inclusão de escolas públicas. Com isso, em 2017, 808 escolas municipais e estaduais de Santa Catarina eram beneficiadas. Em 2018, esse número mudou para 84, segundo o Ministério da Educação (MEC).

Mudança na rotina
Em Florianópolis, boa parte das escolas que ofereciam contraturno estão em regiões vulneráveis, atendendo alunos que convivem com a violência. A rotina da repositora de supermercado Raquel Vieira foi uma das que teve que ser alterada. "Ele fazia quatro dias de oficina. Agora, ele fica em casa com celular e eu pago uma menina para ficar com ele", contou.

Fazia sete anos que a escola oferecia as oficinas no contraturno escolar, por meio do programa "Mais Educação". "Foi uma supresa porque a gente ja contava com isso", lamentou Raquel.

"Para mim, que trabalho o dia inteiro, era ótimo porque ela ficava aqui na parte da tarde. Ela fazia as oficinas e chegava em casa muito empolgada", afirmou a decoradora Tamiris da Costa.

Pelo menos 19 escolas municipais da capital começaram o ano letivo sem as oficinas do contraturno. Em uma escola que na Costeira do Pirajubaé, metade dos alunos ficaram sem as oficinas.

Crianças como Pedro Withoter e Giovana Ibusuki, ambos de 9 anos, que, depois da aula, almoçavam na escola e faziam oficinas de reforço escolar, artes, dança e artes marciais.

"Fiquei [triste] porque gostava muito de fazer essas coisas e a minha professora era muito querida, eu senti muita falta dela também", disse Pedro. "Eu achei um pouco injusto porque tem mães que não podem ficar com os filhos por causa do trabalho", afirmou Giovana.

Para a diretora da escola, Karla Hermans Lima da Silva, o fim do benefício foi um "susto". "Nós já temos esse programa na escola há muito tempo. Só o Mais Educação, desde 2010. De repente saber que a gente não teria e como ficaria. Embora, nós últimos anos, ele já viesse muito irregular, com os repasses atrasando, as orientações já mais truncadas. Agora foi o fim do programa", afirmou.

Alternativas
A maioria das escolas que atendem no contraturno em Florianópolis está em áreas consideradas de risco social ou marcadas pela criminalidade. Para não deixar de atender esses alunos, a Secretaria Municipal de Educação disse que está criando um novo programa em turno integral.

"É um projeto que vai ser financiado com recursos próprios e a intenção é atendermos as 19 escolas que já vinham desenvolvendo atividades em tempo integral, a partir de uma proposta de educação integral ao longo desse ano. As escolas têm até o dia 15 de março para encaminhar os projetos à secretaria a partir dos eixos que elas vão eleger como prioritários de trabalho. A nossa expectativa é que até o início de abril esses projetos já comecem a ser implantados", disse o diretor de Educação Fundamental, Vânio Seemann.

Para o secretário de Estado da Educação, Eduardo Deschamps, entre as alternativas está a adesão das escolas a outro programa. "É o plano estadual de educação, que foi aprovado lá no final de 2014. Ele já previa para o estado de Santa Catarina uma meta de 65% das escolas em tempo integral para todas as redes e 40% dos estudantes matriculados em tempo integral considerando todas as redes até 2024. O estado hoje já tem mais de 65% das suas escolas ofertando programas em tempo integral em várias modalidades".

"Como a Secretaria de Educação tem recursos específicos dela, nós conversamos com o governador Eduardo Moreira [MDB] e ele então nos sinalizou a possibilidade de fazer esse atendimento com recursos da educação já destinados para isso. Então nós vamos fazer um investimento em torno de R$ 10 milhões para poder compensar essa redistribuição de recursos que o Ministério da Educação fez", disse o secretário.

Notícia do G1 Santa Catarina

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