Bandeiras do Brasil e do Rio são hasteadas na Rocinha e no Vidigal

As bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram hasteadas neste domingo (13) na Favela da Rocinha e do Vidigal, durante megaoperação que ocupou as comunidades. Policiais que participam da Operação Choque de Paz e moradores acompanharam o hasteamento.

A retomada das favelas pelas forças de segurança começou por volta de 4h. A ação com 18 blindados, 7 helicópteros e cerca de 3 mil agentes no Rio durou 2 horas e não houve troca de tiros.

No Vidigal, a polícia usou fumaça azul durante o hasteamento das bandeiras. A informação é de que 160 homens do Batalhão de Choque vão permanecer no Vidigal até que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) seja implantada.

Na Rocinha, as bandeiras foram hasteadas em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) , no local conhecido como \" curva do S \".

Segundo o governo do Rio, a ocupação havia sido planejada há vários meses pelo serviço de inteligência das forças de segurança. Cerca de três mil policiais participaram da ação.

\"Nada acontece por acaso. Isso foi planejado há muito tempo pela Secretaria de Segurança, há cerca de quatro, cinco meses, quando pedimos a presidente Dilma que o Exército ficasse no Alemão e Penha até 31 de junho de 2012, porque com isso conseguiríamos entrar na Rocinha\", afirmou o governador Sérgio Cabral ao chegar ao 23º BPM (Leblon) nesta manhã.

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o objetivo da ação era evitar confrontos. \"O nosso objetivo era devolver aquele território à população e isso foi feito. Se chegou nesse local há muito pouco tempo, mas o mais importante é que foi sem disparar um tiro, sem derramar uma gota de sangue de seja lá quem for\", ressaltou . E completou: \"Esse trabalho começou e não tem data para encerrar. É a libertação do jugo do fuzil\".

Blindados e helicópteros
Ainda era de madrugada quando equipes, carros blindados e helicópteros começaram a movimentação para invadir a Rocinha. Moradores foram orientados a não deixar suas casas para evitar ficar um possível confronto armado entre policiais e traficantes. Mas, ao contrário do que se imaginava, a retomada do território aconteceu de forma tranquila, sem que nenhum disparo tenha sido feito.

No total, cerca de 3 mil homens participaram da operação, que contou com apoio de 6 blindados da PM (\"Caveirão\"), 18 blindados da Marinha, 4 helicópteros da PM e outros 3 da Polícia Civil.

Criminosos tentaram colocar barricadas e jogaram óleo na pista, mas isso não pediu a chegada das tropas ao alto do morro. Homens estrategicamente posicionados nos principais acessos da comunidade ajudaram a evitar o fogo cruzado.

Às 4h deste domingo, uma coluna com 18 blindados e cerca de 700 homens avançou pelas vias das comunidades para começar a inserção dos homens. Às 4h30 ocorreu a chegada às comunidades, incluindo o uso de helicópteros com câmera de observação térmica. E às 6h, nossos homens informaram que todas as comunidades ocupadas já estavam sob controle\", afirmou o coronel Pinheiro Neto, chefe de Estado Maior Operacional da Polícia Militar.

Ruas interditadas
A operação contou ainda com um planejamento estratégico, que incluiu a interdição de vias importantes. Às 2h30 foram fechadas a Autoestrada Lagoa-Barra (nos dois sentidos), a Avenida Niemeyer, a Estrada do Joá, a Rua Marquês de São Vicente e a Estrada das Canoas. Todas já foram liberadas ao trânsito, mas a Polícia Rodoviária Federal mantém blitzes na Ponte Rio-Niterói para evitar a fuga de criminosos que estejam escondidos em outras comunidades.

Um dos pontos altos da operação, que segundo a Secretaria de Segurança Pública começou no dia 1º de novembro, foi a prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, apontado como o chefe do tráfico na Rocinha. Ele está preso em Bangu 1 e deve ser transferido para um presídio federal, fora do Rio, em breve.

A polícia pede ainda que a população continue colaborando, dando informações sobre criminosos, armas e drogas escondidos nas favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu. \"Denunciem e ajudem. A população pode ligar para o Disque-Denúncia (2253-1177) ou para o 190 para nos ajudar a localizar criminosos, armas e drogas. Permaneceremos nas comunidades por tempo indeterminado\", frisou o chefe de Estado Maior Operacional da Polícia Militar.

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Fonte: G1.com.br