Boff não é Bento
Em entrevista recente em jornais de grande circulação nacional, o teólogo Leonardo Boff, proferiu algumas frases \" mal-ditas\", as quais necessitam de maior reflexão e profundidade, mesmo para leigos no estado laico.
Vejamos as pérolas de Boff jogadas ao vento: “Bento XVI fez uma regressão, fez com que a igreja não fosse mais o lar espiritual das pessoas”. “Um atraso de 700 anos na igreja.” “Condenou mais de 100 teólogos, silenciando, proibindo de falar”.
“Foi guindado a cardeal para presidir a ex-inquisição.” “ Até escrevi três artigos no JB, como o “demolidor do futuro “da igreja”.
Entendemos a liberdade de expressão, bem como o livre-arbítrio, porém, como teólogo, L. Boff não pode esquecer o novo Testamento (Mateus 7,1), que diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgares, sereis julgados.”
Ao ler o livro “Virtudes para outro mundo possível”, do próprio Leonardo Boff (vol.III),
sua entrevista não condiz com o seu mundo virtuoso. Descrevo algumas citações do seu livro: “Os meios de comunicação levam ao paroxismo (auge da doença) à magnificação de todo o tipo de violência, bem simbolizada com o filme Exterminador do futuro.” “Bem-aventurados os que se entregarem ao estudo das virtudes que podem garantir um outro mundo possível, não para ficarem simplesmente mais ILUSTRADOS, mas para poderem viver melhor e fazerem-se pessoas virtuosas”.
Leonardo Boff, no citado livro, discorre sobre a física quântica, vácuo quântico e outros assuntos pertinentes, criando um paradoxo elementar. Sabe-se que, na física quântica, só os objetos podem ser descritos matematicamente, dentro da ciência temporal. “A igreja somos nós”, portanto Boff não pode tratar a fé como objeto, esquecendo-se do tempo espiritual.
A entrevista com Boff (mediática), deixa no leigo a impressão de que ele está acima das virtudes (teólogo ilustrado), ao afirmar também que João Paulo II não era doutrinariamente brilhante e que “Bento XVI presidiu a ex-inquisição.”
Por fim, Boff revela em sua entrevista palavras compassivas, com respeito teológico e espiritual, porém, por parte de Bento XVI, que chamou L. Boff de “teólogo Piedoso.”
Assim pode-se afirmar que “o papa Bento XVI tem a consciência da doutrina de fé e o discernimento de si próprio.” “Que todos sejam um”. (Jo. 17,21)
(*) Gilberto dos Passos Aguiar
Escritor e Engenheiro
gilbertopa@celesc.com.br
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