Queremos mais energia fóssil?
O petróleo vem vendo extraído da natureza desde a revolução industrial no século 18. O fim das reservas deve acontecer entre os próximos 100 e 200 anos. Além de motor da economia mundial, esta fonte energética tem perturbado o equilíbrio térmico na atmosfera, ameaçando a estabilidade do clima global. Afinal, o carbono acumulado durante mais de 400 milhões de anos está sendo liberado num período de cerca de 400 anos. As reservas serão esgotadas, sem dúvida. E a busca por alternativas ao “ouro negro”, já começa. O xisto aparece como uma importante opção. O Brasil concentra nada menos que a segunda maior reserva mundial, ficando apenas atrás dos Estados Unidos.
Como derivado não convencional do petróleo, o xisto é uma rocha sedimentar que precisa ser submetida a temperaturas elevadas para liberar óleo, água e gás. Mas os riscos de sua exploração não podem ser ignorados: encontrado em solos profundos, ao ser extraído pode afetar os lençóis freáticos e contaminar o meio ambiente. Os próprios americanos só perceberam tais danos após a intensiva exploração. O primeiro leilão de gás e óleo de xisto no Brasil deve acontecer ainda este ano, a pergunta é: precisamos seguir neste caminho? Não basta estarmos loteando as 200 milhas marítimas para as multinacionais com a exploração do pré-sal? Com esta política, também estamos estimulando a circulação constante de navios em nossos mares e comprometendo a oferta de alimentos proveniente dos oceanos, além de trazer poluentes e matéria orgânica exótica nas chamadas águas de lastro.
Diferente de outros países, o Brasil tem abundância de energias renováveis. Possui a matriz energética mais renovável do mundo com 45,3% da produção proveniente da hidroeletricidade, biomassa, etanol, energia eólica e solar. Os recentes leilões de eólica têm atraído o interesse de investidores.
A nacionalização dos equipamentos tem fomentado empregos e multiplicado a cadeia de fornecedores para tornar o país referência no setor. Já a energia solar distribuída está regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e os custos para a geração de um megawatt-hora de fotovoltaica têm caído substancialmente nos últimos anos.
Num país tropical de dimensões continentais, com grandes áreas afastadas e não eletrificadas, esta fonte tem alto potencial de expansão. O item energia poderia entrar na pauta das resoluções da presidente Dilma em atendimento ao clamor das ruas sob um argumento básico: a mobilidade do futuro terá como grande aliada a energia limpa e renovável.
Gilberto dos Passos Aguiar
Escritor e Engenheiro