Laguna: uma visão espacial
Nossa Laguna tricentenária, fundada em 1676 no Sul de Santa Catarina, em breve será presenteada com uma grande obra de engenharia: a ponte estaiada Anita Garibaldi, provavelmente com iluminação funcional e de realce, transformando-se em um grande ícone regional.
Uma ponte logicamente liga um ponto a outro ponto. Porém, a história de Laguna tem outras dimensões, começando por sua projeção nacional na Guerra dos Farrapos, momento em que abraçou o ideal republicano. Foi em Laguna que esse instituiu pela segunda vez, em território brasileiro, uma república chamada Catarinense ou Juliana.
Conhecida também como Terra de Anita, heroína de dois mundos, dos espanhóis e lusitanos e da Linha de Tordesinhas, trata-se de patrimônio nacional que conserva as raízes de um passado sem repelir o futuro.
Por isso mesmo, a encantadora Laguna não pode ficar segregada da nova ponte. Deverá ser integrada dentro do conceito de cidade histórica, humana e inteligente. Vislumbra-se um acesso principal com design urbano, através da Avenida com canteiro central e iluminação moderna, sendo o paisagismo e a mobilidade um espelho do bom gosto.
A cidade, com suas casas geminadas luso-brasileiras, tem seus encantos naturais singulares, que deslumbram todos os moradores e visitantes, os quais se encantam diante de tantas imagens, ângulos e simbolismo. Cenários que já ilustraram filmes, momentos cívicos, religiosos e de cartões postais. E o Centro histórico merece ser revitalizado com redes de distribuição de energia elétrica subterrânea, acompanhado de iluminação especial de realce, visando criar uma identidade diurna e noturna (um museu a céu aberto).
Uma Nação sem discernimento, inteligência e respeito ao passado não absorverá seu futuro, prevalecendo as incertezas. E é nas cidades que estão as evidências e os registros da história de cada momento do País, a exemplo da nossa histórica Laguna.
Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro