A experiência na gestão

Fala-se muito em gestão eficaz nos últimos tempos. Os consumidores, de um lado, exigem uma nova postura empresarial transparente com produtos confiáveis, inovadores, a preços justos. E as empresas estão focadas substancialmente em aspectos econômicos e financeiros para sobreviver ao impacto sempre crescente de mais concorrência em todos os mercados.


Metas e resultados são substanciais no campo dos negócios. Isso vale para as organizações privadas e públicas. Para isso, os progressos tecnológicos são fundamentais, pois embasam uma boa gestão com suas ferramentas rápidas, que trazem soluções operacionais em tempo real. Mas novamente um aspecto tem sido relegado: o talento humano. Sem capacitar continuamente os profissionais e estimulá-los a crescer, sem valorizar sua experiência, a organização não decola.


Porém, o que temos assistido, principalmente na gestão pública, é muito diferente. Ao sinal de problemas na gestão, são contratadas consultorias a valores milionários que revelam o que fazer, mas não como. Planejamentos empresariais exigem tempo e não apenas diagnósticos conhecidos. O que consultorias desconhecem é a “alma” da organização, um saber que está no próprio corpo funcional, nos profissionais com suas expertises que são convidados a deixar a instituição, ao invés de passarem o bastão com toda a bagagem adquirida.
 


Embora ainda pouco valorizados, esses profissionais disseminam com mais facilidade a cultura da organização e têm interesse em transferir seus conhecimentos. É um tempo valioso acumulado que não está em manuais de planejamento estratégico. Uma experiência que pode auxiliar o trabalho dos mais jovens, que iniciam suas carreiras em cenários complexos. Ou, conforme nos aconselhou o Papa Francisco, em sua recente visita ao Brasil: não vamos praticar a eutanásia dos velhos, pois é na sabedoria que encontramos muitas das nossas respostas.
Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro