O CAMINHAR DOS DIAS DO ANO
O CAMINHAR DOS DIAS DO ANO *José Luiz Sobierajski
Passamos as alegrias do Natal e os votos de próspero e feliz ano novo, estamos a caminho do carnaval. Temos a impressão que estas alegrias e esperanças sejam e seriam as marcas de um novo ano. Mas, com o passar dos dias aconteceram coisas que não foram anunciadas e muitas que não são costumeiras.
Mas aconteceram... e acontecerão. O ano de 2014 não se apresenta tão próspero e feliz como esperavamos, nem será diferente, pois cada dia surgem fatos surpreendentes que nos deixam perplexos. Para começar a desfiar estes fatos, devo referir-me às mortes, por causas naturais de Schirlei Temple, a menina prodígio de Hollywood, protagonista de filmes das décadas de 1930 e 1940. Abandonou a carreira artística, tornou-se diplomata dos Estados Unidos da América e faleceu aos 85 anos de idade. Virginia Lane, artista de teatro de revista, viveu da sua arte e morreu aos 93 anos de idade. Era e foi bem brasileira. Contracenando com estas mortes aconteceram aquelas causadas pela violência.
Eduardo Coutinho, de 80 anos, brasileiro, cineasta de renome, com um acervo invejável de produções cinematográficas foi morto pelo filho Daniel, de 41 anos. Além de matar o pai, à facadas, feriu com gravidade a sua mãe, Maria das Dores Oliveira, de 62 anos, que ainda se recupera em internação hospitalar. Foi desavença na família ou disturbios psicológicos de um filho desatinado. A morte que comoveu o Brasil foi a do cinegrafista da Rede Bandeirantes de TV Santiago Andrade, de 49 anos de idade. Fazia Santiago a cobertura jornalística de protesto, no Rio de Janeiro, contra o aumento da tarifa do transporte público.
Foi atingido por um artefato explosivo, socorrido, levado ao hospital veio a falecer. Mais uma vez saiu enlutada a classe jornalistica brasileira. A prisão dos acusados atende aos principios jurídicos e de segurança, mas não traz justificativas para a família. Em contrapartida surge a hipotese de oferta de pagamento para participação em protestos. Afinal é protesto ou bico financeiro. Outro fato inusitado foi a onda de calor que atingiu o sul e o sudoeste brasileiro. O calor chegava a provocar a sensação térmica acima de 50 graus. Agravava o aquecimento a falta de chuva. Além da morte de pessoas e de animais, ainda saiu prejudicada a agricultura. É verão, mas São Pedro não precisava permitir o aquecimento exagerado.
Felizmente choveu... e refrescou o tempo. Passando ao viés esportivo aparece o fato não previsto da negociação entre os clubes esportivos paulistas, Corintians e São Paulo, envolvendo os jogadores Pato e Jadson. O inusitado desta transação foi o desprendimento do Corintians em ceder um atleta, o Pato, cujos direitos federativos alcançara a soma de quarenta milhões de reais. Corintians ainda pagará parcela do salário do atleta. Será que o Pato vai mostrar os seus dotes futebolísticos no São Paulo, ou continuará perdendo a cobrança de penalidades máximas, aliás deixando de fazer o simples goal de bola parada.
Aguardemos até 12 de março, no jogo pela Copa do Brasil, quando o São Paulo enfrentará o CSA, em Macéio e lançará o Pato em campo. Por ironia do destino, passamos do calor ao frio e nos deparamos com o acidente da atleta brasileira Lais Souza, em 27 de janeiro, quando treinava para saltar na Olímpiada de Inverno, a ser realizada na cidade de Sochi, na Russia. Lais não evoluiu no salto, caiu de forma espetacular e estranha, sofrendo lesões graves que poderão afasta-la das competições e práticas esportivas. Outro fato esportivo deprimente foi postura anti ética, anti desportiva e demonstração de racismo da torcida do Real Garcilazo ao apupar o atleta Tinga do Cruzeiro, de Minas Gerais, toda vez que o mesmo tocava na bola do jogo.
A torcida peruana imitava grunhidos de macaco e o árbitro venzuelano fazia ouvidos de mercador, deixou o jogo transcorrer e omitiu o ocorrido na sumula. O que fará a Confederação Sul-Americana de Futebol com o Real Garcilazo e o árbitro omisso? Mas, nós brasileiros, sejamos ou não torcedores do Cruzeiro, estamos com Tinga. Muitas outras ocorrências não annciadas aconteceram, deixando os rastros, quer de dor ou de possível alegria, mas isto é simplesmente o caminhar dos dias do ano de 2014. Aguardemos os outros dias