Evitaremos um novo Apagão?

Um mundo sem energia seria inimaginável. Um país só terá valor para a dinâmica do capitalismo global se possuir uma matriz energética estável. Se partíssemos dessa premissa, o Brasil estaria em posição confortável, uma vez que dispõe de grande oferta de fontes renováveis como as hídricas, além de energias fósseis.

 

Ocorre que a geração, transmissão e distribuição em níveis seguros e confiáveis estão deixando a desejar. Enquanto o consumo energético cresce a índices médios anuais de 4%, nosso PIB dentro dos padrões da economia atual está projetado para a faixa dos 2%, uma equação que não fecha. Hoje o país tem cerca de 127 mil MW de potência instalada. Segundo a Eletrobrás, deveríamos estar atualmente faixa dos 160 mil MW (Plano 2010).

 

Somente no mês de fevereiro, com suas altas temperaturas, a demanda chegou a 85 mil MW no pico máximo. Um índice perigoso, pois capacidade instalada não significa fornecimento. Fatores como instabilidade das chuvas baixam os níveis das barragens, nosso parque eólico ainda é incipiente e as usinas térmicas, altamente poluentes, são caras demais para constituírem em uma boa alternativa. O sistema ficou vulnerável. Grandes usinas como a Itaipu foram construídas na década de 80. Se um novo Apagão estivesse associado ao Linhão da Itaipu, o fornecimento aos lares brasileiros estaria à beira de um colapso.

 

O próprio marco regulatório do setor, que tornou competitiva a geração, não apresentou os resultados esperados. A infraestrutura de transmissão não acompanhou a capacidade instalada e as distribuidoras passaram a ser excessivamente controladas por órgãos fiscalizadores e reguladores. É hora de reverter este quadro, de voltar a prestigiar os profissionais da Engenharia Elétrica e da Tecnologia da Informação, de focar em Inteligência de Redes. E de investir pesado em energia para não enfrentarmos vexames agora e pós Copa do Mundo.

 

Gilberto dos Passos Aguiar

Escritor e Engenheiro