A política morreu?

Ao longo da história, o homem sempre teve o desejo de descobrir a natureza das coisas. Duas questões seguem inalcançáveis: o que forma a consciência e por que estamos aqui. Grandes pensadores como Tales de Mileto, o primeiro filósofo grego conhecido, buscava respostas sobre a natureza do Universo e sobre modelos de sociedade que dessem uma vida digna às pessoas.



Confúcio, o filósofo chinês que combinou moral e filosofia política, afirma: “Se desejares o bem, o povo será bom”. Com Sócrates, vem a máxima: “ Então os deuses não sabem tudo e a vida irrefletida não vale a pena ser vivida”.



As ciências históricas – filosofia, sociologia, política – deixam mais perguntas do que respostas. Em 1513, Maquiavel, no período da Renascença, publica seu clássico O Príncipe, em que proclama: “Os meios justificam os fins”. Premissa questionada por Leon Trotsky, no auge da ideologia do Comunismo, em meados do século XIX: “ Se os fins justificam os meios, o que justifica os fins?”



No período Moderno, com a ascensão das massas, Friedrich Nietzsche apregoou a morte de Deus – ou seja, a religião sustentada por baionetas e espadas estava morta. Neste mesmo período, Karl Marx nos diz: “Os filósofos se limitam a interpretar o mundo de diversas maneiras. O importante é modificá-lo”.



O pensamento político sempre esteve presente em todas as correntes filosóficas e sociais. Se todo o conhecimento adquirido pela sociedade ao longo de mais de três milênios não serviu para o aprimoramento de nossas instituições, algo está errado. As leis se aperfeiçoaram e organismos internacionais foram criados para mediar os conflitos bélicos das Nações. Os políticos, ao assumirem função tão nobre, precisam beber na fonte da ética dos filósofos para reverem suas decisões em posição de comando.



Porém, o que vemos hoje é bem diferente: o exercício da política permeado de interesses econômicos e eleitoreiros que corroem a governabilidade. O próprio ex-secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, nos alerta: “Noventa por cento dos políticos dão aos restantes dez por cento uma péssima reputação”. A arte de governar carece de uma premissa básica: voltar seus objetivos ao bem comum. Os cidadãos elegem seus governantes e pagam seus impostos querendo em contrapartida apenas uma boa gestão. Do contrário, estaremos vivendo a morte da política.



Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro
gilbertopassosaguiar@gmail.com