PÁSCOA

Os descendentes dos judeus saidos do Egito, através do mar Vermelho, a caminho da Terra Prometida festejavam anualmente a data, denominada de Páscoa.

 

Foi na semana desta Páscoa comemorada festiva e religiosamente pelos judeus que por decisão de Pilatos e Caifás, estribados na manifestação da massa popular, conduzida pelos sacerdores da época que Jesus foi condenado à morte de cruz. Era um nazareno, que pregava outra doutrina, fazia milagres, curava doentes, ressuscitava mortos, falava com os pobres e não o fazia com os senhores do poder, tendo ao seu redor alguns pescadores, dentre os quais doze eram conhecidos como apóstolos. O Nazareno, chamado Jesus, filho de José, o carpinteiro e de Maria, foi condenado, a caminho da morte carregou a sua cruz, foi ajudado por Simão Cireneu, ouviu o choro e lamento das mulheres, deixou o seu rosto estampado na toalha de Veronica que enxugara o seu suor, morto teve seu corpo desfalecido cedido a José de Arimatéia que o envolveu em tecidos e perfumes e o colocou num túmulo escavado na rocha, com a entrada obstruida por uma grande pedra.

 

Os Sumos Sacerdotes precupados com o desaparecimento do corpo de Jesus e que seus discipulos viessem a dizer ao povo que Ele ressuscitara, conforme havia anunciado em sua pregações, então, pediram soldados a Pilatos para vigiar o túmulo por três dias, evitando assim que, houvesse qualquer artimanha.

 

Soldados postados à boca do túmulo cedido por José de Arimatéia não impediram que o Nazareno revivesse, deixasse os panos que envolveram seu corpo, afastasse a pedra colocada à saida do túmulo e fosse se apresentar a seus discipulos.

 

A quem procurais, indagou um anjo postado à entrada do túmulo, ante a pedra removida, às mulheres que levavam perfume para adornar o corpo do falecido. “Jesus de Nazaré ressuscitou e foi encontrar-se com seus discipulos”. Era a ressusceição anunciada.

 

Ressuscitado Jesus, o Cristo pregador do novo Evangelho, a partir destes fatos a Pàscoa assumiu nova dimensão, pois passara a significar a redenção e salvação de toda a humanidade.

 

Duas passagens merecem ser comentadas “a quem procurais” e “a caminho da morte carregou a sua cruz”.
“A quem procurais”, perguntou o anjo às mulheres e de imediato respondeu: “Jesus de Nazaré ressuscitou.
Se o mesmo anjo perguntasse hoje às mulheres e à toda humanidade “a que procurais”.
Responderiam o que? Talvez respondessem procuramos felicidade, dinheiro, poder e …!
Poucos perguntariam: “a Jesus de Nazaré”.
A segunda passagem: “a caminho da morte carregou a sua cruz”.

 

Mas qual seria a cruz da humanidade a caminho da morte natural e humana.
A cruz carregada por toda a humanidade seria a luta fratícida entre homens, mulheres e crianças do mesmo povo, fosse sírio, afegão, iraquiano, ucraniano, africano, fosse do oriente ou do ocidente, fosse do norte ou do sul...

 

Ou, ainda seria a luta fratícida por dinheiro, encastelada nas mais diversas teorias e justificativas econômicas que deixam os povos famintos e os mortos insepultos, principalmente crianças inocentes, pois falta-lhes um José de Arimatéia.

 

Muitas outras lutas fazem dos homens os seus próprios lobos, tais como justificou-se Pilatos, “não tenho culpa na morte deste homem”, mas nada fez para livrá-lo da condenação e simplesmente escondeu-se através de uma desculpa secular – é a vontade do povo.

 

Será que nos dias atuais o povo ainda expressa a sua vontade atendendo a pretensão manifestada pelos donos do poder, do dinheiro e das armas, tal como aconteceu com o Nazareno indefeso e abandonado por aqueles que o aclamaram com ramos e afagos na entrada de Jerusalém....

 

Esperamos que vivência da cruz nos conduza à Páscoa...

Autor: José Luiz Sobierajski