Gás liquefeito para SC
O que seria do nosso mundo sem energia? Voltaríamos aos tempos precursores da Revolução Industrial. Mesmo que as economias de todo o planeta entrassem em desaceleração, ainda assim precisaríamos de reservas crescentes de energia para abastecer as residências, os automóveis, as indústrias, todos os setores, enfim.
Estudos recentes de entidade World Business Councill for Sustainable Development, que reuniram análises de mais de 200 países para apresentar as perspectivas para a economia global, preconizam: nas próximas décadas cerca de 80% dos recursos virão das energias fósseis - petróleo, carvão e gás, restando 20% do total para as fontes da biomassa, energia nuclear, hídrica e demais fontes renováveis. As recentes descobertas de novas jazidas no Canadá e do Pré-sal, no Brasil, confirmam esta tese.
Explorar os recursos fósseis de forma ambiental e economicamente compatível é o grande desafio. No caso catarinense, a alternativa do gás natural deve ser pensada além da distribuição do insumo proveniente da Bolívia via Petrobras. Um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) seria uma saída para garantir o abastecimento no futuro, diante do limite do contrato atual da ordem de 2 milhões de metros cúbicos/dia, destinados principalmente para a indústria. Nosso vizinho Rio Grande do Sul já realiza estudos para a implantação de um terminal, enquanto que a Bahia, Rio de Janeiro e Ceará têm seus próprios equipamentos.
Além de reduzir o volume do GN em até 600 vezes, a baixíssimas temperaturas, a regaseificação facilita o transporte do insumo em condições seguras, com alto rendimento energético. O Porto de Imbituba, no Sul do Estado, tem calado suficiente para viabilizar o terminal, com excelente logística para a distribuição. E graças às reservas do Pré-sal, os volumes de gás brasileiro poderão complementar a oferta do insumo. Segurança energética é sinônimo de competitividade para novos investimentos. Agora é questão de vontade política e articulação empresarial para não perdermos o trem da história.
Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro