Em tempos eleitorais

Estamos chegando a mais uma eleição, em que a política da mímica facial e a fala mansa da maioria dos candidatos voltam com força ao cenário midiático. Mais do que nunca, vivemos o  fim das ideologias, o auge da tecnocracia e a mera aglutinação dos partidos em nome da vitória. Enquanto os verdadeiros heróis do cotidiano são os cientistas, os professores e demais profissionais, neste período eleitoral  surgem os  “salvadores”  em nossas telas de televisão, nas emissoras de rádio, nas redes sociais e na poluição visual das nossas esquinas e ruas apelando pelo nosso voto.

 

Ignorar a política é um engano, pois o mundo precisa de estadistas com visão do bem comum, que trabalhem em prol de uma sociedade mais justa e digna para todos.  Políticos que aparecem de quatro em quatro anos e interagem em favor de um pequeno grupo não trocam energia e morrem no anonimato, na sua própria sombra. Nunca é demais lembrar que nem todo político manipulador é corrupto, porém todo corrupto é manipulador. O jogo ilusório das aparências, da sedução leva ao narcisismo, não à mudança social.  Indivíduos com esta índole são como um termômetro – têm fraseado para cada temperatura, porém não produzem remédios e não se preocupam com as necessidades dos eleitores.

 

As pesquisas eleitorais são outra armadilha, induzindo as populações a escolher o candidato que lidera as intenções de voto. Ninguém nasceu para ser massa de manobra. Importante é que façamos nossas próprias pesquisas, estudando o histórico e as propostas concretas daqueles que nos representarão no Executivo e Legislativo.  Assim daremos uma chance à verdadeira democracia, abrindo mais espaço para políticos realmente imbuídos do ideal mais nobre: servir à sociedade.

 

Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro
gilbertopassosaguiar@gmail.com
www.guilbertoaguiar.com.br