Segurança aos motociclistas

Políticas de transporte público ineficientes, associadas às facilidades de financiamento dos bens levam a um fenômeno: congestionamento das vias urbanas pelos automóveis. Mais recentemente, um novo fator somou-se ao cenário - o aumento exponencial do número de motociclistas nas ruas, avenidas, bairros. Hoje são mais de 1 milhão circulando no Estado, ou 23% da frota estadual, um dos maiores índices do País.

 

No mês de outubro, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou portaria aprovando o Anexo 5 da Norma Regulamentadora 16, que gera direito ao adicional de periculosidade aos motociclistas em situações de trabalho. Estão incluídos motoboys, motofretistas ou mototaxistas ao longo do percurso em vias públicas. Empresas e cooperativas que utilizam tais serviços vão precisar se adequar à legislação.

 

A decisão é um passo importante em defesa da categoria, pois os motociclistas enfrentam diariamente toda a sorte de percalços ao transitar por vias muitas vezes mal iluminadas, esburacadas e mal sinalizadas. Entretanto, mesmo que tivéssemos as melhores estradas do mundo, ainda assim teríamos inúmeros acidentes.

 

Pressão psicológica, prazos exíguos para cumprir, stress e ousadia nas manobras fazem a rotina da maioria dos motociclistas. Tudo isso resulta em grande número de acidentados, que lotam os hospitais e sofrem sequelas, quando não perdem a própria vida, interrompendo os sonhos do futuro.

 

Além de melhorar a infraestrutura das vias, é importante que o Governo crie políticas de educação no trânsito para as escolas, programas de conscientização e invista em mais controle na identificação das motos nos radares eletrônicos. Em resumo, o aprimoramento da legislação e as campanhas por mais segurança trarão benefícios para toda a sociedade.

 

Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro