CHOQUE NA LÍNGUA ?
Em recente estudo publicado pelo neurocientista Yuri Danilov e sua equipe, foram aplicados impulsos elétricos indolores (controlados) na língua, sabendo de sua conexão ao tronco cerebral. Sua conclusão: “Acreditamos ter encontrado um novo caminho para reabilitação de muitos distúrbios neurológicos”.
Rogamos que estes estudos prossigam e que também atinjam o lobo frontal e as estruturas neuronais, responsáveis pela fala, movimentos e aspectos da personalidade. O estudo sugerido (lobo frontal) deverá ser aplicado para alguns candidatos duvidosos, com o amor narcíseo e ego à flor da pele, obcecados pelo poder.
“Oh! Que formosa aparência tem a falsidade!!”, nos disse William Shakespeare. A palavra tem poder, identificação; muitos são amados, reverenciados e idolatrados por conta do poder da palavra, sincera e misericordiosa. “Palavras e ações, que jamais passarão!”.
Toda verdade propaga sentimentos úteis para a sociedade. É como uma lufada de ar que renova e inova no tempo; não faz sombra diante da luz, seus efeitos são benéficos a todos.
“Se vocês quiserem uma vida feliz e boa, mantenham domínio sobre a língua e guardem os lábios de dizer mentiras. Porque a palavra do Senhor é reta, e todo seu proceder é fiel”, nos relata a Bíblia. O primeiro enunciado da Bíblia é uma citação vocal: Deus disse: “Haja luz!” – a intenção e ação aconteceram pela comunicação oral (gen:1:3).
O visionário e estadista usa palavras contidas, abertas a poucas interpretações, porém profundas e realizadoras. As palavras articuladas por conveniência, aparentando honestidade, esquecendo-se das virtudes, ferem sonhos e realizações.
O caráter e a personalidade têm a ver com as palavras e as ações. A palavra deve estar em harmonia com o proceder. “Somente a moralidade das nossas ações pode nos dar a beleza e a dignidade de viver”, reitera Albert Einstein. O excesso de biopoder leva ao egoísmo, um distúrbio a ser tratado pela sociedade.
Podemos enganar as pessoas com palavras, discursos, mais jamais conseguiremos enganar o que está escrito em nossa consciência. Sem aprofundarmos no estudo da mente, sabemos que o nosso cérebro tem consciência de sua existência por bondade divina. Vários processos independentes no cérebro se combinam para gerar uma resposta, uma palavra a um evento. Portanto, a responsabilidade do “poder da palavra” assume maior dimensão; então por que não sermos verdadeiros?
“Volta à tua consciência, interroga-a”, nos recomenda Santo Agostinho.
Gilberto dos Passos Aguiar
Escritor e Engenheiro
gilbertopassosaguiar@gmail.com
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