PROTAGONISMO DAS MULHERES
Matusalém é empresário, casado e semanas atrás matou com tiros na cabeça Izabella Marques Gianvechio, sua amante de 22 anos e seus filhos gêmeos de apenas dois meses de idade, na cidade de Buritizal/SP. Na Rua Engº Paul Werner, em Blumenau, um homem de 50 anos de idade pegou uma jovem no ponto de ônibus, levou-a até Pomerode e a estuprou em plena luz do dia.
Segundo o estudo de 2010, feito pela Universidade de Brasília, tido como referência pela OMS, uma a cada cinco mulheres com mais de 40 anos já fizeram, pelo menos, um aborto na vida; a maioria casadas, católicas ou evangélicas.
O Dia Internacional da Mulher é domingo e muitas delas irão receber flores ou lavadoras de roupas como presente. Entretanto este dia foi criado justamente para que sejam discutidas as pautas feministas, que são urgentes e muitas. Apesar da maioria dos homens ridicularizarem nossas lutas, os fatos falam mais alto que o preconceito. Esta semana comemoramos mais uma pequena vitória: a aprovação pelo Senado da lei que classifica o feminicídio como crime hediondo e o inclui como homicídio qualificado. O texto modifica o Código Penal para incluir o crime - assassinato de mulher por razões de gênero - entre os tipos de homicídio qualificado. O projeto vai agora à sanção presidencial.
As pautas das mulheres feministas são extensas e passam desde a implementação de uma política efetiva de proteção das mulheres, seus filhos e dependentes em situação de violência de gênero, sendo ela física, psicológica, sexual, moral e patrimonial no âmbito público e privado até o combate à objetificação da mulher, com a promoção do protagonismo feminino e o monitoramento das mídias sociais com formalização e encaminhamentos de denúncias em caso de conteúdo de cunho machista, sexista e misógino.
Neste dia 08 de março podemos comemorar que podemos nos divorciar, trabalhar nas profissões que desejamos, que nossos agressores e assassinos terão uma pena justa. Entretanto milhões de Marias não conseguem se proteger dentro de suas casas da violência, da jornada tripla de trabalho, das cantadas grosseiras quando saem de suas casas com um short ou minissaia, ou quando são tolhidas no exercício de sua sexualidade.
Num país que ostenta cinco milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento nos mostra que temos uma longa jornada de lutas e conscientização para deixarmos de ser objeto.
A autora é advogada, escritora e integra o Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana.
Rosane Magaly Martins
Advogada e Escritora