Acervo do escritor Ildefonso Juvenal é destaque em SC

A Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis (SME), fará a transferência para a Polícia Militar de Santa Catarina de sete obras raras de Ildefonso Juvenal, publicadas na primeira metade do século 20. Negro, Ildefonso foi escritor, teatrólogo,jornalista e oficial da PM. A solenidade ocorre na quarta-feira (19/08), às 14 horas, na sede do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina.

 

As obras estão no acervo do Floripa Letrada, projeto que gratuitamente coloca à disposição dos usuários do transporte coletivo da Capital livros e revistas.
Serão repassados os livros “Relevo” (prosa-1919), “Páginas singelas” (prosa- versos-discursos-1929), “Conferências sobre hygiene” (1935), “Teatro- obras completas” (1942) , “Ensinando a ensinar errado” (1946), “À Nossa gloriosa Marinha de Guerra no dia maior de sua história” (1948) e “Contos de Natal” (1952).

 

O evento contará com a participação do secretário de Educação Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, do Comandante da PM, Coronel Paulo Henrique Hemm, e da Coordenadora do Floripa Letrada, Rosânia Tomaz.

 

O processo de transferência visa promover a leitura dos livros pelos alunos e professores da escola militar,contribuindo com os planos de ensino e currículos do ensino fundamental e médio, bem como das escolas de Sargento e Oficial. Os exemplares terão como destino a Biblioteca da Academia de Letras da corporação.
Em 2013, a SME já havia transferido para a PM a obra original Paineis, lançada em 1918.O livro reúne poemas, versos, prosas e dramaturgia.

 

Negro intelectual

Ildefonso Juvenal nasce em 10 de abril de 1894 em Florianópolis, falecendo em 9 de março de 1957. É considerado em Santa Catarina como o primeiro negro a se formar num curso superior. No ano de 1924, no antigo Instituto Politécnico, é graduado em Farmácia.

 

Desta forma inicia, em 1926, a carreira na Polícia Militar do Estado, como segundo-tenente farmacêutico. No cargo, organiza a primeira farmácia da corporação. Em 1937, é promovido a primeiro- tenente. Na PM fica até 1947, chegando ao posto de major. 

 

Como jornalista, escreve para diversos jornais sobre fatos da história catarinense, registrando, por exemplo, a questão de limites entre Santa Catarina e Paraná, episódio ocorrido em 1916. Outro artigo de autoria dele, publicado em “A Gazeta”,é sobre o Regimento de Infantaria de Linha da Ilha de Santa Catarina , conhecido como Regimento Barriga Verde.

 

Pelas suas pesquisas é empossado como membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, em 1942.
Como escritor, marca presença em movimentos literários ao lado do professor Barreiros Filho e da professora Antonieta de Barros. Morador da região continental de Florianópolis, em 1973, Idelfonso Juvenal é homenageado com um nome de rua no bairro Estreito.