A economia da Armadilha no Brasil
O atual governo brasileiro terceirizou as políticas econômicas, baseadas na teoria econômica do inglês John Keynes (1883-1946) e do americano Milton Friedman (1912-2006), da Escola de Economia de Chicago. De cunho neoliberal, Friedman ajudou a inventar o sistema de impostos retidos na fonte em folha de pagamento.
Quanto ao comando político, este foi entregue a outro partido da base aliada, demonstrando assim um estreito horizonte de projeto de poder. Já as crises econômicas no Brasil têm sido tratadas com excesso de políticas baseadas não em evidências, e sim em ideias inadequadamente analisadas, privilegiando o corporativismo.
Ainda estamos atrelados ao desenvolvimento a partir das commodities e do petróleo, pré-sal, que estão em segundo plano da economia global. Temos que investir, adotar uma governança responsável, com gestão de custos, produtividade e mercado mais livres.
O modelo de economia que deu acesso ao povo a bens pessoais - geladeiras, TV coloridas com LED’s, microondas, celulares em detrimento aos bens sociais, educação, capacitação e saúde -, não obteve o sucesso econômico e social desejado.
O País precisa urgentemente de um programa nacional de desenvolvimento, reordenando as políticas energéticas, econômicas, sociais, administrativas, de investimentos, com segurança jurídica. “Buscar estudos cientificamente, ou ao menos racionalmente, de maneira sistemática e metódica, deve ser o papel ideal de um Estado na organização econômica e social de um País”, nos ensina o economista francês Thomas Piketty.
Tudo o que está acontecendo não reforça a democracia, através da intervenção branca no Congresso e nos meios produtivos, com excesso de carga tributária e cortes em nome dos ajustes fiscais, visando encobrir o intervencionismo e o protecionismo. Chega do economês, das armadilhas fiscais, “agenda além do ajuste”.
Temos que visualizar o homem quanto ao seu potencial de trabalho e de produção, como um dos recursos necessários à transformação do meio, cuidando da terra como recurso natural e dando liberdade ao setor produtivo. O Brasil é maior que as flutuações da atividade econômica e de recessão. “Verás que um filho teu não foge à luta”. Afinal, somos brasileiros!
* Gilberto dos Passos Aguiar
(*) Escritor e Engenheiro
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