Via Campesina em SC mobilizada

A Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, que iniciou na segunda-feira (22), em todo País, e segue até a sexta-feira (26), centraliza os debates na necessidade de mudanças no modelo agrícola brasileiro.  Em Santa Catarina, as mobilizações ocorrem em Chapecó e Florianópolis, de terça-feira (23) a quinta-feira (25). Os movimentos ligados à Via Campesina chegam à Florianópolis e unem-se a sindicatos, pastorais e movimentos urbanos para três dias de mobilização no decorrer desta semana. 

Nesta terça-feira, a mobilização ocorreu em frente à Receita Federal, onde os movimentos alertam para a necessidade de recursos dirigidos à agricultura familiar e camponesa. No dia 24 (quarta-feira), as atividades ocorrem na Secretaria Estadual de Agricultura e Pesca, também pressionando pelo atendimento da pauta da agricultura familiar  dentro do Estado.

No dia 25 (quinta-feira), a Via organiza a Exposição dos Produtos da Reforma Agrária, no centro de Florianópolis, seguida de um Ato Público em conjunto com todas as categorias de trabalhadores. A pauta, neste dia, envolve também os trabalhadores urbanos, e inclui reivindicações como melhores condições de trabalho, valorizações dos trabalhadores públicos, da educação pública, da saúde pública, contra a privatização dos serviços públicos e as organizações sociais – política questionada em razão dos péssimos resultados verificados até agora.

 

Pautas da Via Campesina em todo o Brasil
A jornada é direcionada aos problemas enfrentados no campo, em especial a concentração de terra e renda – conseqüências do agronegócio vinculado ao mercado de agrotóxicos –, a devastação das florestas e a violência contra as famílias de pequenos agricultores. As propostas são claras e baseiam-se em uma reforma agrária de verdade, com distribuição de terra e renda, incentivos à agricultura familiar, camponesa e à produção de alimentos saudáveis, sem a utilização de agrotóxicos, além do assentamento das famílias acampadas no país.  

O objetivo é assentar mais de 60 mil famílias acampadas, algumas há mais de cinco anos, recomposição do orçamento destinado à obtenção de terras – os R$ 530 milhões destinados ao Incra promover a desapropriação de terras já foram totalmente executados e a renegociação das dívidas dos pequenos agricultores também é pauta de reivindicação.  Em todo o Brasil, o valor em dívidas vencidas chega a R$ 30 bilhões, de acordo com o Ministério da Fazenda. A situação é preocupante, pois a agricultura familiar é responsável pelo abastecimento interno de alimentos - responde por 70% do alimento da mesa do brasileiro.

A Via campesina é formada pela Comissão Pastoral da Terra(CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens(MAB), Movimento dos Pescadores e Pescadoras, Quilombolas, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Sindicato dos Trabalhadores na EMBRAPA,  Conselho Indigenista Missionário  (CIMI), entre outros movimentos do campo.