Desabrigados de Rio do Sul receberão kits de sobrevivência de organização internacional

A enchente que deixou Rio do Sul em estado de calamidade pública colocou a cidade numa lista mundial de vítimas de catástrofes. Uma organização internacional com sede na Inglaterra e que atua em todo o planeta ofereceu ajuda humanitária aos atingidos pela tragédia no Alto Vale do Itajaí, e já nesta semana os desabrigados terão acesso ao que mais precisam: um lugar para morar.

A Shelter Box (caixa de abrigo) é uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos ligada ao Rotary Club International e que distribui kits de sobrevivência cujo principal item é uma barraca com capacidade para 10 pessoas, resistente a ventos, chuvas e temperaturas extremas e durabilidade de até seis meses.

Desde 2000, quando foi criado, o programa já beneficiou um milhão de pessoas em mais de 100 países afetados por conflitos, vulcões, enchentes, furacões, tsunamis e terremotos. No Brasil, a shelter box já foi usada por mais de 15 mil pessoas que perderam suas casas em enchentes e deslizamentos de terra no Nordeste e no estado do Rio de Janeiro em 2010 e 2011.

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Benefício para regiões atingidas pelos desastres

Fabricada por uma empresa da Escócia, cada caixa custa cerca de 1 mil dólares (R$ 1,7 mil) e é custeada pela ONG, que sobrevive de doações em dinheiro e destina 90% à compra e distribuição dos kits. As caixas são distribuídas sem nenhum custo às famílias e aos governos das regiões atingidas pelos desastres. Toda a logística, do transporte à montagem das barracas, é providenciada pela ONG. A única atribuição do poder público é identificar as famílias que precisam do benefício.

O representante da ONG na Inglaterra, David Hatcher, que esteve em Rio do Sul neste fim de semana para apresentar o programa, diz que neste momento existem 242 kits disponíveis no Brasil, e todos serão destinados a Rio do Sul. As caixas devem chegar à cidade até quarta-feira. A prioridade é que as barracas sejam instaladas no ambiente familiar das pessoas.

Não havendo essa possibilidade, caso os locais sejam áreas de risco, a sugestão é que sejam criados acampamentos coletivos em estádios de futebol ou outros lugares que disponham de banheiros e energia elétrica, já que as barracas não contam com estas opções.

Como ajudar

* Para fazer doações ao programa é possível depositar qualquer quantia em dinheiro para a Shelter Box Brasil, banco HSBC (399), agência 0209, conta corrente 00855-20, CNPJ 12.464.125/0001-51.

* www.shelterbox.org.br e fone (11) 4436-5871.

* Quem depositar acima de R$ 1,7 mil receberá o número de uma caixa para que possa rastrear pelo site da ONG a sua doação e saber em que lugar do mundo o kit está sendo utilizado.


Ainda há 258 famílias em abrigos

Até a tarde deste domingo, 913 pessoas de 258 famílias continuavam nos 23 abrigos públicos espalhados por Rio do Sul. Cada uma com suas histórias e seus dramas, mas todas na mesma situação: sem um lugar para viver.

Um dos maiores abrigos fica no galpão de uma antiga fábrica no Bairro Barragem, um dos mais atingidos. No local que chegou a ter 400 pessoas, 120 ainda vivem de forma improvisada com as poucas roupas, móveis e eletrodomésticos que conseguiram salvar ou que receberam de doações.

Gente de todas as idades, como a pequena Cauana, de apenas sete meses, que enfrentou a primeira enchente da sua vida e está refugiada no galpão com a avó, a costureira Neusa Teresinha Berri, de 53 anos; e o aposentado Tercílio Hager, de 80 anos, que está sozinho mas conhece a maioria das outras pessoas que estão no abrigo.

— Existem pessoas que são vizinhas de outros alojamentos, pois não é a primeira vez que precisam sair de casa por causa de enchentes — diz o coordenador do abrigo, Lucas Schewinski.

Na quarta-feira, o prefeito Milton Hobus irá a Brasília pedir rapidez na liberação de recursos para a construção de casas populares a fim de beneficiar as famílias que perderam tudo na enchente. O município vai doar os terrenos e, como a Caixa Econômica Federal já tem projetos e as obras podem ser contratadas em regime de urgência, o prefeito acredita que em seis ou sete meses os novos imóveis já estejam prontos e possam ser utilizados pelas famílias.