Morte de Kadhafi marca \'transição histórica para Líbia\', diz Ban Ki-moon

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta quinta-feira (20)  que a notícia da morte de Muammar Kadhafi marcou uma \"histórica transição para a Líbia\".  \"O caminho à frente para a Líbia e seu povo será difícil e cheio de desafios. Agora é o momento de todos os líbios se unirem\", afirmou Ban na sede das Nações Unidas.

\"Os combatentes de todos os grupos devem depor suas armas e se unir em paz. Este é um momento de reconstrução e cura\", afirmou o chefe da ONU. Até o fim desta manhã, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os EUA ainda não havia confirmado a morte. Entretanto, a aliança admitiu ter bombardeado um comboio pró-Kadhafi próximo à cidade onde os ex-rebeldes dizem ter matado o ditador.

Segundo informações do novo governo do país, o ex-ditador foi morto em um ataque de combatentes líbios nesta manhã próximo à cidade de Sirte, sua terra natal. A mesma ação, segundo os combatentes, resultou ainda na morte de Muatassim, um dos filhos de Kadhafi. Também teriam sido mortos dois agentes dos serviços de inteligência e um ex-ministro de Defesa do regime deposto.

A rebelião contra Kadhafi começou em fevereiro deste ano na cidade de Benghazi e colocou a Líbia em uma violenta guerra civil e em crise humanitária. Desde o fim de agosto Kadhafi estava desaparecido: ele foi derrubado do poder após a tomada da capital, Trípoli. Ele estava no comando do país há 42 anos.

A rebelião contra Kadhafi começou no contexto da chamada Primavera Árabe, série de movimentos pró-democracia que também derrubou governos na Tunísia e no Egito e abala atualmente os regimes ditatoriais no Iêmen e na Síria.

Ataque coordenado
Kadhafi foi atacado próximo à sua cidade-natal, Sirte, em um comboio que sofria ataque aéreo da Otan enquanto tentava fugir. A cidade de Sirte, último foco de resistência dos combatentes kadhafistas, havia sido tomada definitivamente pelos rebeldes nesta quinta-feira, após semanas de cerco e resistência dos pró-Kadhafi.

A Otan confirmou que disparou, por volta das 10h30 de Brasília, contra veículos \"que representava uma ameaça para os civis\", mas não precisou se Kadhafi se encontrava no local.

Um combatente do novo governo líbio, ouvido pela Reuters, disse que Kadhafi estava escondido em uma tubulação e teria gritado \"Não atire! Não atire!\" ao ser descoberto.

Kadhafi era procurado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, da ONU, por crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos rebeldes. O CNT havia falado, em várias ocasiões, que pretendia levar o coronel e seus aliados a julgamento no próprio país.