Deic deve interrogar suspeitos de envolvimento em jogo ilegal nos próximos cinco dias

Os oito presos na operação Jogo Duplo, entre eles um policial civil e o ex-delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ademir Serafim, devem ficar na Diretoria de Investigações Criminais (Deic) de Florianópolis até que sejam ouvidos os seus depoimentos.

— Em um prazo de cinco dias vamos ouvir o depoimento de cada um e depois será avaliado se pedimos a prorrogação da prisão temporária ou não — declarou o promotor Alexandre Grazziotin.

Os presos são suspeitos de envolvimento em jogos ilegais de azar, investigados há nove meses pela operação. O ex-delegado-geral, atual delegado titular da Comarca de Balneário Camboriú, teria sido flagrado, na sexta-feira, recebendo propina de outro policial. O dinheiro estaria sendo pago para que ele fizesse vistas grossas às atividades na região. 

O Ministério Público e a Deic não quiseram se pronunciar sobre o envolvimento dos policiais e nem divulgaram valores. 

No fim da tarde, já por volta das 18 horas, após a chegada do delegado da Polícia Civil, em um carro prata e sem algemas, a Deic foi fechada com cadeados. Com a presença dos jornalistas em frente à delegacia, nem o atendimento normal ao público foi feito. 

Outro policial, também envolvido nas suspeitas, chegou depois e tentou, dentro de um carro particular, acompanhado de agentes, esconder o rosto das câmeras e curiosos.

O diretor da Deic, Cláudio Monteiro, não quis se pronunciar sobre o envolvimento de agentes no esquema de cassinos.

Carreira na polícia desde 1974
 
Nascido em Gaspar, Ademir Serafim foi empossado como delegado-federal em abril de 2010. Homem de confiança de Pavan, ficou até o fim da gestão do tucano. Também filiado ao PSDB, ele é presidente da sigla em Gaspar, no Vale do Itajaí.

Serafim entrou na Polícia Civil em agosto de 1974, como Comissário. Em 1984, formado em direito, passou em concurso. Construiu a carreira de delegado em sete cidades.

O cargo de Ademir deverá ficar com o delegado André de Oliveira Filho. A nomeação deve ser feita pelo diretor de polícia no Litoral, Arthur Nitz.

Com colaboração de Gabriela Rovai e Dagmara Spautz