Celesc (SC) se mobiliza no combate à violência contra o idoso
Dia 15 (sexta-feira), às 14h, na sede da Celesc, na Capital, um debate público sobre o tema Rompendo o Silêncio que discutirá o combate da violência contra o idoso. Participam do evento o Secretário Estadual de Assistência Social João José Cândido da Silva, os presidentes do Conselho Estadual do Idoso, Kátia Ribeiro Freitas, da Coordenadoria Estadual do Idoso, José Paulo da Cunha, da Celesc Antonio Gavazzoni e representantes do Ministério Público e Poder Legislativo. O debate será transmitido por videoconferência para as 16 Agências Regionais.
O Dia 15 de junho é a data escolhida pela ONU como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa. Celebrado pela primeira vez em 2006, com a realização de campanhas em nível mundial, a data tem como objetivo mobilizar a sociedade para discutir e fortalecer a prevenção dessa violência.
A Celesc atua nessa frente de mobilização por meio de representante no Conselho Estadual do Idoso de Santa Catarina (CEI-SC) e abre as suas portas para acolher a participação de interessados no debate junto com membros dos Conselhos Municipais do Idoso, Secretários Municipais de Assistência Social, e Secretários Regionais de Desenvolvimento.
Realidade – Os dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram uma triste estatística, pois a cada ano sobe o número de ocorrências em delegacias catarinenses. Em 2009, foram 28.103 casos; em 2010, foram 33.598 e, no último ano, chegaram a 30.451 casos. A maior parte diz respeito a furto (62%) e os principais os atos violentos contra o idoso incluem ameaças, danos físicos, estelionato e injúria. Somente os casos de homicídio chegaram a 111 no ano passado.
Dados do Ministério da Justiça apontam que, no Brasil, morrem anualmente 13 mil idosos por acidente ou violência, significando, por dia, média de 35 óbitos, dos quais 66% são homens. Cerca de 10% das mortes de idosos são causadas por homicídios, na maioria homens. Também são elevadas as taxas de suicídio (sete casos para cada grupo de 100 mil habitantes), ou seja, duas vezes a média geral brasileira. Como nos casos de homicídio, a maior parte das vítimas é homem.
A representante da Celesc no Conselho Estadual do Idoso, Edleia Rosa Schmidt, relata que um dos principais problemas é que o agressor do idoso, geralmente, vive na mesma casa que a vítima, depende do idoso ou o idoso depende dele: “Em muitos casos, há histórico de abuso de álcool e drogas na família. Normalmente, há também vínculos afetivos frouxos e pouca comunicação. Na verdade, o próprio agressor, muitas vezes, vive socialmente isolado e mantém o idoso assim e, ainda mais, ele já sofreu ou sofre agressões também. É uma questão social muito complexa”, afirma.
No País, de acordo com dados do IBGE, mais de 95% das pessoas acima de 60 anos moram em casa de parentes ou vivem com eles em suas próprias casas. Em 26% das famílias brasileiras existe, pelo menos, uma pessoa com mais de 60 anos. A maioria das queixas dos idosos é contra filhos, netos ou cônjuges e somente 7% se referem a outros parentes.
Segundo Edleia, o debate público e as campanhas educativas auxiliam a promover bases para a mudança de um paradigma social: “A maneira com que a sociedade trata os idosos é contraditória. A visão negativa do envelhecimento é preponderante e que reproduz a ideia de que a pessoa vale o quanto produz e o quanto ganha. Por isso, os mais velhos, quase sempre fora do mercado de trabalho e ganhando uma pequena aposentadoria, são considerados inúteis”.
Ela aponta a outra visão, que precisa ser fortalecida: “Aquela que vem da convivência e da valorização da pessoa idosa por sua história, sabedoria e contribuição à família e à sociedade. Precisamos abrir espaço de discussão nos próprios currículos escolares, visando construir relações de respeito entre diferentes: jovem e velho, mulher e homem...”.
Fonte: Celesc/SC