Santa Catarina sofre aumento da violência no campo

O assassinato do produtor rural Roque Nicolau Weber em Marechal Bormann , o mais antigo distrito de Chapecó, reacendeu a discussão sobre a violência no campo. A Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc) pediu ao Governo do Estado a criação de um programa emergencial de segurança nas áreas rurais.
O vice-presidente regional da Faesc

 

Américo do Nascimento, que também preside o Sindicato Rural de Chapecó, a quem era filiado o produtor assassinado, disse que cresce em toda a região a insegurança no campo: as famílias rurais estão sendo atacadas de dia e de noite por bandidos que agem em dupla ou em bando, roubam valores financeiros, máquinas, gado, insumos agrícolas e equipamento.

 

A última vítima, Roque Nícola Weber, tinha 59 anos, era casado com Maria Laide Weber, pai de dois filhos e vivia no Núcleo Hortigranjeiro, zona rural sul do município. Ele teve a propriedade atacada na madrugada de terça-feira,20. Os criminosos, após matá-lo, levaram uma caminhonete Volkswagen Saveiro cor branca, placas MLT 5098.

 

Américo do Nascimento lamenta que o campo catarinense venha sofrendo com a crescente onda de violência, notadamente com crimes relacionados ao roubo de animais, implementos agrícolas, maquinários, veículos e insumos e invasão de residências.

 

O presidente da Faesc José Zeferino Pedrozo, que está em viagem, antecipou que pedirá audiência com o governador do Estado e os órgãos de segurança para tratar do assunto. Ele defende um diálogo entre produtores rurais, prefeitos e autoridades estaduais sobre as medidas para neutralizar e prevenir a violência nas áreas rurais.

 

Além da violência contra o produtor rural e sua família, os crimes contra o patrimônio também recrudesceram. Nos últimos anos, “o braço deletério da criminalidade tem atingido o campo”, enfatiza Pedrozo. Um dos crimes mais antigos da humanidade – o furto de gado – voltou a ser praticado com surpreendente reincidência, lesando produtores rurais, o que levou a Faesc a solicitar medidas especiais da Secretaria de Segurança Pública.

 

Conhecido na linguagem jurídica como abigeato, o furto de gado bovino vem sendo praticado em várias regiões catarinenses, especialmente no oeste e no sul.

 

Para furtar tamanha quantidade de animais é necessária estrutura operacional de veículos, galpões e pessoas, o que somente uma quadrilha especializada poderia ter. As longas distâncias, as dificuldades de comunicação e o relativo isolamento de algumas microrregiões facilitam a ação dos criminosos.

 

AÇÃO
De acordo com o vice-presidente regional, a Faesc pedirá ao governo do Estado a criação de uma patrulha policial para atuar nas áreas rurais e reprimir o crime no campo. É essencial uma intervenção articulada entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e Vigilância Sanitária de Santa Catarina para investigação e fiscalização sobre o desaparecimento e a comercialização de bovinos.

 

Além dos prejuízos econômicos aos criadores, esses furtos e roubos pode gerar sérios problemas de ordem sanitária, pois esses animais estão sendo abatidos e comercializados clandestinamente. Muitos inquéritos policiais continuarem inconclusos e os criadores temem nova onda de roubos e violência.

 

Fonte/Colaboração:
MARCOS A. BEDIN