Rombo na prefeitura de Lages (SC)

O entrave nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito -CPI da Câmara do Município de Lages, em Santa Catarina, a qual investiga um rombo milionário de desvios de dinheiro público no Departamento de Recursos Humanos -DRH, onde a folha de pagamento de salários era alterada mensalmente beneficiando alguns servidores comissionados e que já deram seus depoimentos à CPI e também à Polícia Civil deste município, continua agora sob à espera de mais documentos, incluindo por parte do Banco Itaú, agência de Lages que está atrasando propositadamente a entrega de documentos bancários já solicitados pela CPI a fim de esclarecer as investigações a respeito dos pagamentos de salários efetuados pela prefeitura de Lages.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), vereador Anilton Freitas (PTB) pediu no requerimento 062/11, a prorrogação por mais 60 dias para o término do inquérito sobre supostas irregularidades no Departamento de Recursos Humanos (DRH) da Prefeitura de Lages. Havia previsão de que a conclusão da CPI seria para o dia 10 de maio, mas o atraso na entrega de documentos do Banco Itaú e também da própria prefeitura de Lages além de atrapalhar os trabalhos desta CPI coloca mais suspeitas sob o que é considerado um dos maiores escândalos administrativos da prefeitura de Lages nestes últimos anos. A prefeitura é administrada pelo prefeito Renato Nunes de Oliveira (Renatinho,PP), que foi por duas legislaturas o vice-prefeito do hoje Governador do Estado Raimundo Colombo,DEM. Renatinho sucedeu Colombo na prefeitura e Colombo elegeu-se Senador e agora Governador do Estado.

A extensão do prazo para conclusão dos trabalhos é motivado pela falta de documentos considerados essenciais para o desfecho do caso. Entre as informações ainda não recebidas pela Comissão estão dados da Prefeitura e a quebra de sigilo bancário e fiscal de alguns suspeitos pelo Banco Itaú, além da quebra de sigilo telefônico do principal acusado da fraude, André Rau Ávila.

Segundo Anilton Freitas, a extensão do prazo de conclusão da CPI é essencial. “Quem mais sofre com todo este dinheiro desviado é a população, que está à mercê de obras para serem feitas, entre outras tantas coisas. Se não vier esta documentação, vamos prorrogar este prazo até o fim do mandato”, promete o vereador. A falta de transparência neste episódio soma-se a outro ainda  mais grave e que já tramita na Justiça, ou seja, investigações relacionadas à Universidade do Planalto Catarinense - Uniplac que chegou a uma dívida de mais de R$ 40 milhões de reais. Foi feita auditoria e adotada uma comissão intervencionista para buscar soluções nesta universidade lageana. O Ministério Público vem acompanhando ambos trabalhos investigatórios.

Sob o caso da CPI do DRH da Prefeitura de Lages, o relator da Comissão, vereador e médico Rodrigo Silva (DEM) , afirmou que os documentos são fundamentais para que se comprovem quem, de fato, cometeu os crimes. “Com esta documentação teremos condições de separar o joio do trigo, para que não se cometa qualquer injustiça”, disse. Segundo o relator, as cifras desviadas podem ser maiores do que se supôs no início dos trabalhos.

Enquanto isto, os contribuintes que pagam seus impostos em Lages, aguardam com expectativa a definição desta CPI e os investimentos públicos necessários como na Saúde, Educação, Segurança, geração de Emprego e renda em Lages continuam no atraso há décadas. O desemprego aumenta assustadoramente e na saúde enfrenta muitas dificuldades.

Basta destacar a crise hospitalar com falta de leitos, equipamentos  e até medicamentos. Há pacientes realizando tratamento médico e que estão há mais de um ano à espera pela realização de um exame o que mostra o desleixo especialmente nesta área tão essencial à vida dos cidadãos.

 

Fonte-Destaque Catarina