Sem técnicos por perto, Nocetti critica preparação para Londres
Pouco mais de um mês depois de conquistar a vaga nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e mostrar quatro dedos para festejar, lembrandoque irá ao evento pela quarta vez, Anderson Nocetti não está feliz com o estágio atual da preparação para as Olimpíadas. No momento, o remador treina sozinho com o próprio barco em um clube de Florianópolis (SC), longe das três mulheres também classificadas para os Jogos: Fabiana Beltrame, Luana Bartholo e Kyssia Cataldo, que são orientadas pelos dois técnicos da seleção brasileira, no Rio de Janeiro.
“Estou por conta própria, pois a Confederação (Brasileira de Remo) não fez nenhuma programação para eu treinar junto às atletas e treinadores”, lamenta o catarinense, que compete na categoria single skiff. “Recebi apenas uma programação que me dá uma ideia do que o grupo está fazendo no Rio, para eu não sentir o ritmo se encontrá-los”.
O diretor técnico da CBR (Confederação Brasileira de Remo), Wandir Kuntze, e o técnico principal, o francês José Oyarzabal, deram versões distintas sobre o assunto. Kuntze diz que é de “praxe” Nocetti ficar em Florianópolis e receber instruções à distância, não vendo necessidade de o veterano participar das atividades no Rio por causa da experiência adquirida na carreira.
O dirigente acrescentou que o catarinense só deve se juntar à seleção na véspera dos principais campeonatos – Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. De acordo com o comandante estrangeiro, no entanto, o problema é financeiro.
“Gostaria que ele estivesse aqui, mas não está conosco porque não temos dinheiro para bancar o acampamento (alojamento)”, revelou Oyarzabal, garantindo que as portas estão abertas para o remador. Com um porém. “Vai depender se ele vai querer pagar ou se vamos ter dinheiro nos próximos meses”, resumiu. O projeto da Petrobras, Esporte e Cidadania, administrado pelo Instituto Passe de Mágica e que investe na modalidade, libera recursos para hospedagem seguindo o pedido da CBR, segundo informou a assessoria de imprensa do próprio Instituto.
Aos 38 anos, o atleta do Botafogo afirma que é injustiçado por causa da idade. “Às vezes me sinto como se fosse culpado por ter vencido a seletiva (em Tigres, na Argentina), pois me parece que atrapalho quando o assunto se refere à renovação. O Oyarzabal conviveu com nomes de ponta do remo, a tendência era eu melhorar com ele. Além disso, os barcos da seleção são melhores”, desabafou o veterano, que deve viajar no dia 14 com o restante da delegação para Lucerna, na Suíça, onde acontecerá mais uma etapa da Copa do Mundo e a regata final de qualificação olímpica.
“A idade não é problema. Temos uma Olimpíada, vai quem é o melhor e ele é o melhor no skiff. Mas também temos que dar apoio aos mais novos. Se formos para os Jogos de 2016 com os mesmos atletas de hoje, mostraremos que não houve renovação”, defendeu-se Kuntze.
As competições de remo nas Olimpíadas começam no dia 28 de julho, em Elton Dorney. Tendo como melhores resultados a 13ª colocação em Sydney (2000) e Atenas (2004), Nocetti admitiu que é difícil conseguir um resultado melhor em Londres. “Eu acredito que até possa melhorar, mas da forma que está, vai ser difícil. Como não fiz uma preparação específica de quatro anos, meus adversários de outras Olimpíadas evoluíram mais”, resumiu.