Ideli assume novo Ministério

A troca de Ideli Salvatti (PT/SC); que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais- responsável pela condução política do Governo Dilma e que antes esta pasta era conduzida por Luiz Sérgio (PT/SP),- vai agora para a pasta de Pesca e Aqüicultura, antes comandada por Ideli. É uma alternativa de manutenção política dentro do Governo e do próprio Partido dos Trabalhadores-PT, desgastado diante o mais recente escândalo com o ex-Ministro Antonio Palocci. Desafio maior para Ideli Salvatti que chegou realizar no Governo Lula a liderança política entre os demais partidos que compõem a chamada base de Governo.

Correntes internas dentro do próprio Partido dos Trabalhadores-PT; são hoje a exemplo de sua história o maior inimigo político devido aos confrontos de debates internos entre as principais correntes do Partido dos Trabalhadores. Ideli Salvatti por exemplo em Santa Catarina faz parte da corrente onde  atua o  prefeito de Joinville Carlito Merss e o deputado estadual Dresch, por exemplo. Já, Claudio Vignatti lotado no Ministério em que Ideli irá conduzir daqui para frente faz parte da corrente interna partidária em que atuam as deputadas federal Carminatti e Luci Choinacki.  Portanto, um destes desafios é o interno no PT, mas há o maior dos desafios, ou seja, buscar manter a harmonia entre os partidos que formam a base de Governo Dilma Rousseff. Este é o grande desafio político de Ideli Salvatti com  a nova pasta.

Já em  mandato de Governo Federal onde o Partido dos Trabalhadores-PT está pela segunda vez, é considerado praticamente uma realidade política de constantes ameaças de rompimento na base, seja, individualmente por lideranças políticas acostumadas a receber benesses dos governos tais como: cargos em altos escalões  para pessoas indicadas e ou emendas com recursos bem consideráveis para distribuir na base regionalizada, ou ainda entre as siglas partidárias onde estão constantemente realizando pressões ao Governo Federal nesta mesma linha. Isto é: pressionar para obter uma contrapartida por parte do Governo em que facilite a atuação daquelas lideranças que estejam no Congresso ou na Câmara Federal prestando apoio ao Governo. É o chamado -toma lá dá cá.

Basta relembrar em Santa Catarina
Ideli Salvatti em Santa Catarina, quando concorrera ao Governo do Estado nas últimas eleições, não saiu-se muito bem neste tipo de encaminhamento. Um exemplo disto, foi a estratégia equivocada quando em Lages- na Serra Catarinense onde o PT tinha candidato próprio para disputar a prefeitura com apoio de outras cinco siglas de esquerda, resolveu na véspera dar um apoio branco ao candidato do Partido Progressita-PP, que disputava a reeleição e que acabou reelegendo-se com esta estratégia de Ideli que com isto queria ver o PP lhe apoiando na disputa ao segundo turno das eleições ao Governo catarinense, caso ela estivesse ali nesta disputa. O que acabou não acontecendo, pois o então candidato do DEM Raimundo Colombo ganhou no primeiro turno estas eleições e pôs por água abaixo a pretensão de Ideli com apoio do PP do casal Amin, disputar um eventual segundo turno daquelas elições. 

 

Agora, na Secretaria de Relações Institucionais, com a larga experiência política no PT, e com a forma típica sua de condução em  acordos políticos partidários, imagina-se que não venha colocar em risco maior a contaminação do Governo Dilma Roussef (PT), já minado pelas tradicionais forças políticas de direita que vieram  através do PSD surgido do DEM que surgiu do PFL que surgiu do PDS e que surfiu da Arena -lá pelos idos 60, na época da opressão da direita quando o Brasil ensejava uma democracia ampla e irrestrita.

Imaginar o PT com aliados históricos da direita mais atrasada deste país tendo hoje ao lado  o senador José Sarney (ex-Arena e PDS), Raimundo Colombo (ex-PFL e DEM); o presidente do Partido da República -PR/SC ex-deputado Nelson Goetten (ex-PP; PFL) e tantos outros aliados de Governo, dá para ter-se uma ideia do futuro caminho do Partido dos Trabalhadores-PT e o pior: do futuro do Governo Dilma com esta gama de políticos que ajudara na construção do atraso em que o Brasil chegou e que pouco a pouco começa dar sinais de que é possível reverter esta realidade.

 

Porém, a continuar o Governo Dilma com esta mostragem de alianças em sua base minada como cupins em madeira fragilizada- resta ao povo brasileiro ir às ruas como já está ocorrendo em quase todo o país. Professores em greve há semanas, meses; bombeiros protestando por melhores salários; professores universitários em greve; judiciário reivindicando mais recursos e melhores condições para atuarem em vários estados; sem-terras invadindo áreas de hidrelétricas- desta forma; o Brasil ainda pode alcançar mais justiça social e menos demagogia e enganação, menos roubalheira dos cofres públicos e mais reformas profundas como Tributária; Fiscal; Polícita e Jurídica.