Combate ao crack em SC

Na quinta-feira, dia 24, às 14h, a Celesc- Centrais Elétricas do Estado de Santa Catarina e o Instituto Crack Nem Pensar estarão juntos, na sede da Empresa, em Florianópolis,SC, para debater a Lei de Internação Compulsória. A iniciativa visa fomentar a discussão pública sobre o combate ao uso da droga e o tratamento dos usuários.

Participam do debate o presidente do Instituto, Marcelo Lemos Dornelles; o autor da lei, deputado federal Osmar Terra, a psicóloga e professora da UFSC Ana Maria Pereira Lopes, a promotora de Justiça Vanessa Wendhausen Cavalazzi, e o presidente da Celesc, Antonio Gavazzoni.

Segundo a assessora de Responsabilidade Social Empresarial da Celesc, Viviani Bleyer Remor, o sistema criado para a venda do crack, não o consumo da droga, é uma das principais causas do aumento crescente da violência nos grandes centros urbanos: “Essa é a avaliação do especialista Flávio Sapori, coordenador do Instituto Minas pela Paz, responsável por uma pesquisa sobre o tema na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais que será apresentada em agosto deste ano”.

O estudo de Sapori aponta o uso da crack como um dos grandes responsáveis pelo aumento da violência e morte em todos os cantos do País: “Para chegar a essa conclusão, Sapori analisou, desde dezembro de 2008, mais de cinco mil inquéritos policiais já concluídos sobre homicídios registrados na região metropolitana de Belo Horizonte”, diz Viviani.

As evidências coletadas pelo pesquisador indicam uma relação direta entre a chegada do crack à cidade, em meados dos anos 90, e o aumento no número de homicídios na região. Viviani aponta que, diferentemente do que ocorre com a cocaína e com a maconha, o comércio do crack é muito mais pulverizado: “A pesquisa aponta que essa “terceirização” da venda da droga é que contribui para gerar a violência, não exatamente o consumo do crack”.

A criação de uma rede de vendedores do crack, de acordo com Sapori, ocorre porque, diferentemente das outras drogas, é mais barata, relativamente fácil de produzir e extremamente viciante: “As “cracolândias” se sustentam, em geral, pelo emprego frequente dos usuários como revendedores”, afirma Viviani. “A Lei de Internação Compulsória surge como uma possibilidade que precisa ter seus benefícios e impactos avaliados. Esse debate é de toda a sociedade”, completa.

Saiba Mais: O Crack é uma droga resultante da mistura da pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. É uma forma impura de cocaína, não um sub-produto. Seu nome deriva do verbo \"to crack\", que, em inglês, significa quebrar, devido aos pequenos estalidos produzidos pelos cristais (as pedras) ao serem queimados.

A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos devido à absorção pulmonar e seu efeito dura entre 3 e 10 minutos, produzindo sensação de euforia mais forte do que o da cocaína e, em seguida, muita depressão. Embora seja uma droga mais barata que a cocaína, o uso do crack acaba sendo mais ‘dispendioso’: o efeito da pedra de crack é mais intenso, porém termina depressa, o que conduz ao uso compulsivo.

O uso de cocaína por via intravenosa foi substituído pelo crack, que provoca efeito semelhante, sendo tão potente quanto a cocaína injetada. A forma de uso do crack também favoreceu sua disseminação, já que não necessita de seringa; basta um cachimbo, na maioria das vezes improvisado, como, por exemplo, uma lata de alumínio furada.

Dados da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados, indicam que o número de usuários no Brasil está em torno de 1,2 milhão e a idade média para início do uso da droga é 13 anos. O número é uma estimativa feita com base nos dados do censo do IBGE.

ANOTE:

O que? Debate sobre Lei de Internação Compulsória de Usuários de Crack, aberto ao público

Quando? 24 de maio, quinta-feira, às 14h00

Onde? Sede da Celesc – Avenida Itamarati, 160 – Itacorubi – Florianópolis



Fonte: Centrais Elétricas de SC SA