Desindustrialização em SC é relativa e varia conforme o setor, mostra estudo

A desindustrialização na indústria de transformação catarinense é
relativa, com diferentes graus de intensidade nos diversos setores. Essa é a conclusão de um estudo contratado pela Federação das Indústrias (FIESC) junto à UFSC e apresentado na sexta-feira, dia 21, durante reunião de diretoria da Federação. Os segmentos de madeira e móveis são os que mais estão sendo afetados. Cerâmica, têxtil e calçados estão no grupo desindustrialização relativa, com perda de participação na criação de emprego e na geração de valor na produção. Enquanto isso, os segmentos de alimentos, papel e celulose, plásticos, máquinas e equipamentos e material de transporte enquadram-se numa situação intermediária de desindustrialização. Ou seja, há queda no valor adicionado da produção, mas há manutenção ou crescimento no nível de emprego.

O levantamento da Universidade Federal mostra que vestuário; máquinas, aparelhos e material elétrico; bebidas; fumo; química; metalurgia básica; produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos); eletroeletrônica; equipamentos médico-hospitalares e veículos automotores não mostraram evidência de desindustrialização, pois no período pesquisado (1996 a 2011) aumentaram a participação no valor adicionado e na geração de novas vagas de trabalho.

O presidente do Sistema FIESC, Glauco José Côrte, lembra que a atual crise internacional, que impacta o Brasil, é do mesmo porte da vivida em 2008, no entanto, a crise atual está mais duradoura. \"O atual cenário econômico aumenta a competição no mercado internacional, com mais países disputando um mercado cada vez menor. O trabalho da UFSC traz um dado preocupante, que é o aumento da participação dos produtos básicos na pauta de exportação do Estado\". Em análise de cenário, durante a reunião, Côrte informou que em 2000, 67% dos produtos embarcados eram industrializados contra 33% de básicos. Em 2011, os industrializados caíram para 54% enquanto os básicos subiram para 46%. \"Isso mostra que produtos manufaturados do Brasil estão perdendo competitividade no mercado internacional\", alertou.

Segundo coordenador do estudo, o professor do departamento de economia da UFSC, Sílvio Cário, a indústria, que sempre foi o carro-chefe de criação de riqueza, vem perdendo representatividade ao longo dos anos. \"Alguns setores têm perdido participação no valor adicionado e de vendas e no emprego, mas em outros segmentos há estabilidade e crescimento dessas variáveis\", disse ele.

Pela ótica do PIB, a indústria brasileira de transformação vem perdendo dinamismo na economia nacional. Na década de 1980 representava 35% do PIB e hoje 18%. Santa Catarina acompanha essa tendência. Em 1996 a indústria representava 26% do PIB e em 2009 fechou com 22%. \"O setor não perdeu mais participação por conta da ascensão dos segmentos de infraestrutura que engloba energia elétrica, gás e esgoto\", explicou o professor.

A pesquisa mostra que as exportações catarinenses de produtos de baixo e médio valor tecnológico representam mais de 60% dos produtos vendidos ao mercado internacional - 85% dos produtos fabricados têm como destino o mercado interno e 15% ao exterior.

Conforme o levantamento, em países desenvolvidos a indústria perde participação na formação do PIB e cresce a representatividade do setor de serviços. Cário destaca que em economias
emergentes como o Brasil, o setor secundário ainda não cumpriu suas funções e muitos setores estão perdendo o dinamismo rapidamente. No país, observa-se desde 1980 uma diminuição da participação da indústria na geração de riquezas. O professor salientou que quando esse fenômeno ocorre em economias mais avançadas, não há prejuízo porque há crescimento da renda per capita, que chega a ser em torno de US$ 25 mil. Aqui, a indústria reduz a participação diante de uma baixa renda per capita, que hoje é de aproximadamente US$ 5 mil.