A barbárie na Saúde no Brasil
Criminoso é pouco para quem deixa pessoas morrerem por falta de atendimento à saúde, durante o instante em que milhares de pessoas chegam em hospitais, prontos socorros e Postos de Saúde em busca do atendimento de urgência e sequer recebem a assistência garantida pela Constituição Federal. As recentes denúncias mostradas num dos canais de Tevê em rede nacional mostra a realidade em todo o Brasil. Pior é ver também que outras milhares de pessoas estão na fila de espera pela realização de algum tipo de exame e tem gente morrendo antes de realizar estes exames. De quem é a culpa de tudo isto, questiona muitos cidadãos brasileiros espalhados por todo o território deste país.
Em Santa Catarina não é diferente de regiões do Nordeste e do Norte onde a situação é caótica. Em Lages, na Serra Catarinense, um dos mais tradicionais hospitais e que há anos presta o atendimento de urgência aos pacientes- o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres passa por uma crise nunca antes vivenciada, ou seja, falta recursos financeiros para pagamento dos profissionais que ali prestam trabalho médico-hospitalar. Recentemente houve a suspensão de cirurgias e somente retornou com a intervenção do Ministério Público. O Hospital Infantil Seara do Bem que sobrevive com maioria dos recursos oriundos da iniciativa privada e de doações, também sofre dificuldades para prestar o atendimento às crianças que ali buscam assistência médica-hospitalar. E o Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos -HGMTR, que há poucos anos teve sua estrutura ampliada de leitos, também enfrenta novo dilema, ou seja, há necessidade de expansão do número de leitos, inclusive na Unidades de Terapia Intensiva - UTI. Tem paciente fazendo tratamento contra o Câncer em Lages e que há mais de um ano necessita de um exame e sem dinheiro para pagar particular, continua na espera por parte do poder público. E olha que de Lages saiu o novo governador eleito Raimundo Colombo (DEM) com mais de 80 por cento dos votos. E Colombo atuou por dois mandatos consecutivos e um anterior como prefeito desta cidade serrana. De uma ou outra, seja, o povo lageano espera de vez uma solução na Saúde ou pelo contrário, está gostando da situação atual vivida nesta área essencial na vida das pessoas.
Desvios de recursos públicos, obras inacabadas como vários prédios hospitalares sem conclusão em todo o país e que consumiram milhões de reais; falta de equipamentos hospitalares; médicos que não comparecem aos locais de trabalho e que recebem salários; médicos que realizam horas-extras por mês e com números altamente suspeitos chegando a mais de mil horas extras por mês como foi em Lages e está sendo investigado pelo Ministério Público e assim por diante. Receituários com números excessivos de medicamentos aos pacientes levando-os à adquirir além do necessário para favorecer desta forma fabricantes de medicamentos. Portanto, a população brasileira mostra-se indignada cada vez que precisa ir em busca de atendimento à saúde e tem que deparar-se com situações desta natureza, ou seja, dificuldades intensas a fim de receber uma atenção digna. Percorrer hospital em hospital em busca de atendimento é uma afronta à cidadania. Muitas pessoas morrem durante o trajeto e maior perca de tempo antes de receber o socorro à saúde. A sociedade brasileira deve mobilizar-se para que o Congresso Nacional aprove uma lei em que a omissão ao atendimento à saúde seja encarada como um ato de crime hediondo- isto é: fere diretamente a vida de uma pessoa e isto é um crime inaceitável quando existem hoje amplas possibilidades de ampliar novos hospitais, mais profissionais na área da saúde. Segundo fontes ligadas à medicina no Brasil faltam mais de 350 mil médicos para assegurar uma assistências compatível com as necessidades atuais deste país.
Em Florianópolis (SC), Capital de Santa Catarina até bem pouco tempo o Hospital Infantil Joana de Gusmão não possuía um aparelho de Tomógrafo, sendo que uma criança que apresentasse a necessidade de realizar exame neste aparelho, havia que ser removido para uma outra Unidade Hospitalar do centro da cidade. No Hospital Regional São José, na Grande Florianópolis; as dificuldades começam na parte externa do prédio onde as calçadas são precárias, há falta de leitos e muitos outros desafios são enfrentados tanto pela equipe técnica quanto por parte dos usuários da saúde.Profissionais da Saúde em Santa Catarina são pouco valorizados. A recente greve de servidores da Prefeitura de São José foi uma mostra inequívoca desta realidade. O Ministério Público; a OAB e demais segmentos da sociedade civil organizada precisam reagir mais severamente contra esta omissão e precariedade do atendimento na área da Saúde não somente em Santa Catarina, porém, em todo o Brasil.